Como naseu a auriculoterapia
Em 1951, o doutor Nogier, médico em Lion, na França, vê entrar em seu consultório alguns doentes que apresentam uma curiosa cicatriz no pavilhão da orelha. Fica sabendo deles que foram curados da dor ciática com sucesso por uma curandeira que veio de Marselha.
Madame Barrin, tratava os pacientes provocando uma pequena queimadura (cauterização) em um determinado ponto do pavilhão da orelha. Ela herdou o segredo de seu pai. E a este foi ensinado por um mandarim chinês que queria retribuir pela hospitalidade recebida.
O ponto cauterizado não era conhecido na acupuntura. Ele quis encontrar imediatamente uma explicação, apesar da tentação de rechaçar o método, como era normal naquele período (como acontece hoje também), somente porque vinha de curandeiros de rua. Começou a se perguntar se poderiam ser encontradas correspondências entre algumas áreas da orelha e os órgãos periféricos.
Nogier conhecia os trabalhos do doutor Bonnier o qual havia demonstrado a ação da estimulação de certas áreas do nariz nos funcionamentos e nos órgãos periféricos. Durante muitos meses pesquisou outros pontos da orelha que pudesse haver correspondência com os órgãos. As suas primeiras pesquisas foram coroadas somente por fracassos. Mas ao tentar picar o ponto cauterizado pela senhora Barrin com uma agulha de acupuntura, obteve certo número de resultados, alguns dos quais espetaculares, nas lombalgias e nas dores ciáticas.
Um dia lhe veio à mente uma frase, muito freqüentemente pronunciada pelo doutor Amathieu que lhe ensinara sobre as manipulações vertebrais: “A ciática, é um problema da 5ª vértebra lombar.” Começa então a considerar a idéia de o ponto cauterizado pela senhora Barrin corresponder a 5ª vértebra lombar.
A antélice, a parte da orelha que forma uma dobra no meio do pavilhão, poderia assim corresponder à coluna vertebral. Então, de tanto observar as orelhas de seus pacientes, conclui que a orelha se parece com um feto dobrado sobre si mesmo, com a cabeça dirigida para baixo. Descobre em seguida que quando os pacientes se lamentam de dores na região lombar, o ponto correspondente fica dolorido quando pressionado.
A mesma técnica é utilizada então em todos os pacientes que se lamentam de dor nas costas. Não demora a evidenciar que a região localizada um pouco abaixo à antélice corresponde às costas e que pouco mais embaixo encontra algumas áreas relacionadas com as cervicalgias. A antélice está, portanto, ao avesso, em analogia perfeita com a coluna vertebral. E mais, as suas diferentes incisuras parecem sinalizar as separações existentes entre as áreas vertebrais cervicais, dorsais e lombares.
O doutor Nogier apaixona-se sempre mais pelos pacientes que sofrem de dores na raque e estes não hesitam em procurar o seu consultório. Acontece, logo depois, a descoberta do ponto correspondente à dor no ombro e em seguida o do quadril. Pouco a pouco, durante os meses seguintes Nogier começa a desenhar uma cartografia da orelha, aquilo que chamamos habitualmente de somatotopia.
Uma representação semelhante já foi evidenciada pelos neurologistas em termos de cérebro. Aquilo que é novo, é o fato de se estabelecer uma correspondência entre um ponto da pele e um órgão. Mas a pele não há, ela também a mesma origem que o nosso sistema nervoso?
Outros órgãos foram identificados, mas isto não acontece sem esforço porque é raro que um paciente sofra somente de um único problema e também a sensibilidade dos pacientes é muito variável. Ocorrerá, portanto haver então muita tenacidade para atingir resultados satisfatórios. Mas o doutor Nogier tem a paixão dos pioneiros.
Quando os seus trabalhos alcançaram certa consistência, decidiu realizar uma demonstração aos seus amigos. Estes ficam impressionados com os resultados obtidos, mas muitos deles rebateram que é possível obter os mesmos resultados com a acupuntura e a homeopatia e que então o interesse é muito imitado. Felizmente neste momento encontra o doutor Niboyet, o melhor acupuntor francês da época, o qual propõe de apresentar a sua descoberta em um congresso de acupuntura. Em 1956 o doutor Nigier apresenta oficialmente a sua primeira cartografia da orelha. Esta exposição é muito bem recebida. Em especial um médico alemão, apaixonado pela orelha, lhe propõe de escrever um artigo para a sua revista. Assim, o método se internacionaliza rapidamente. A publicação é lida no Japão; a auriculoterapia chega em seguida à China em plena revolução cultural. É acolhida, estudada, às vezes destorcida pelos médicos que procurar difundir pelo país métodos simples e econômicos de curas. A conseqüência é que alguns médicos franceses irão à China descobrir a auriculoterapia. Mas os médicos chineses reconhecem ao doutor Nigier a paternidade do método.
Por 15 anos o doutor Nogier prosseguirá as suas pesquisas, multiplicando as experimentações. Utilizará os aparelhos aperfeiçoados pelo Niboyet para a busca dos pontos de acupuntura, e os aperfeiçoará para adaptá-los as particularidades da orelha. Contrariamente ao ponto da acupuntura que é permanente, o ponto na orelha aparece somente na medida em que exista no organismo uma patologia. Essa propriedade permite uma conduta diagnóstica pela auriculoterapia e é este elemento que permite um interesse particular à auriculoterapia respeito à acupuntura.
A primeira publicação de Nogier sobre a Auriculoterapia remonta a 1956.
Somente após esta data esta técnica diagnóstica e terapêutica se difundiu pelo mundo (a própria China começou os estudos sobre a auriculoterapia após tal data).
Em 1980 o americano Terry Oleson publica na prestigiosa revista Pain o primeiro estudo científico sobre a auriculoterapia. Em 1987, em Seul e em 1991 em Lion a O.M.S. (Organização Mundial de Saúde) reconhece e padroniza os pontos da acupuntura auricular. Em 1995 na Itália, a Federação Nacional da Ordem dos Médicos insere a voz Auriculoterapia na tabela de honorários da F.N.O.M tornando-a terapia médica oficial e praticável somente por “manu medica”.




